quinta-feira, 15 de maio de 2008

TV-verdade?

Este texto toma como referência a bela matéria da repórter Natalia Viana, "Cem Marias para cada Madeleine" e fala um pouco sobre como funciona nossa política enferrujada de notícias. Para lê-la, clique aqui.

Transcrevo um trecho pois é bem ilustrativo:

"...sentada ao lado do editor do jornal britânico Independent, onde trabalhei durante alguns meses, anunciava minha saída e aproveitava para perguntar se a eles interessariam reportagens free-lancer sobre a América do Sul, que eu poderia fazer quando voltasse. A resposta: - Olha, ainda vale a velha regra: mil peruanos equivalem a 10 franceses. Então é assim, se tiver um acidente, um desastre muito grande...".

Detalhe para a velha regra ainda válida, onde se compara o valor de vidas humanas e o resultado é que uma certidão européia vale mais que tantas latinas. Interessante também é como a reportagem lança luz sobre o sistema de fontes das informações que vemos em nossos telejornais e jornais televisivos (você não tinha notado que eram as mesmas imagens e pautas bem parecidas?). Pela política de cortar custos, compra-se cegamente a idéia formatada por redes de informações com interesses escusos e tornamos a liberdade de imprensa, que declaramos orgulhosamente ter e de ter lutado por ela (pois é, estamos em maio, alguém falou em Revolução?) em algo barato e comprometido apenas com os índices de audiência e venda de jornais. O caso da garota assassinada ainda retumba nos telejornais. O trecho abaixo fala um pouco mais disso:

"Com a falta de dinheiro na maioria das empresas de mídia no Brasil, e aomesmo tempo com o advento da internet e dos canais de notícias 24 horas,a notícia internacional, se antes era mercadoria, agora virou mercadoria baratíssima. Para preencher tanto espaço em branco, em tão pouco tempo, os veículos optarampelos serviços das agências internacionais, um punhado de empresas – todassediadas em países ricos – que dizem ao mundo todo o que é notícia e o quenão é. Assim, a Reuters, de origem alemã e sede em Londres, a CNN americana, a AFP francesa, a BBC inglesa – financiada, não por acaso, pelo Ministériodo Exterior britânico – difundem a sua visão de mundo, a sua própria culturae o seu jeito de fazer jornalismo."

Não sou jornalista nem levanto bandeira classista mas o que fere a liberdade e ataca o direito de sabermos do ocorre in loco por mais de uma fonte, direciona a informação e padroniza reações e idéias, criando preconceitos e estigmas tolos.

Tais situações não são novas, nos tempos de Jesus ser cidadão romano era o supra sumo dos direitos civis e a respeito da ressurreição de Cristo, uma mentira fora plantada para encobrir a história contada por tantas testemunhas oculares, ver Mt 28.11-15.
(12 Reunindo-se eles em conselho com os anciãos, deram grande soma de dinheiro aos soldados,
13 recomendando-lhes que dissessem: Vieram de noite os discípulos dele e o roubaram enquanto dormíamos.
14 Caso isto chegue ao conhecimento do governador, nós o persuadiremos e vos poremos em segurança.
15 Eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. Esta versão divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje.)

Saber separar e analisar a verdade é tarefa cada vez mais difícil visto que a idéia comum não necessariamente tem que ser a verdade em muitos casos...

Um comentário:

diogo disse...

e o que dizer de cidadão kane? ...